Coronavírus no Brasil: saiba quando procurar ajuda médica

Autoridades de saúde brasileiras destacam que o momento não é de pânico

A confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil na última quarta-feira acendeu um alerta pela possibilidade de propagação do vírus no país. Ainda não é possível dizer ao certo como o vírus se comportará num país tropical, mas a expectativa é de que haja uma disseminação mais lenta diante das temperaturas mais elevadas no verão, ambiente adverso ao vírus.

Foto: Nelson Almeida/AFPPassageiros desembarcam no Aeroporto de Guarulhos vindos da Europa
Passageiros desembarcam no Aeroporto de Guarulhos vindos da Europa

Autoridades de saúde brasileiras destacam que o momento não é de pânico e orientam que apenas pessoas com febre persistente e algum desconforto respiratório ―como coriza, tosse ou falta de ar― e que tenham mantido contato nos últimos 14 dias com pessoas que estiveram em países onde houve casos de transmissão da doença procurem as unidades de saúde.

O Governo brasileiro começou a se articular para garantir equipamentos de segurança a hospitais e leitos extras para possíveis quadros graves, uma ação que se antecipa a um provável aumento da demanda nos municípios caso mais pacientes infectados sejam confirmados. Além disso, a campanha de vacinação contra a gripe será antecipada em 23 dias (começa em 23 de março). Apesar de não prevenir contra o novo coronavírus, a vacina deve diminuir a ocorrência de epidemias.

A preocupação é de que haja sobrecarga nas unidades de saúde por conta de uma doença cujos sintomas são genéricos e semelhantes àqueles provocados por outros vírus que já circulavam no país. E que tem apresentado um índice de letalidade baixo, de 1,5% fora da China ― quando os casos chineses são levados em conta, o percentual sobe para 3,4%.

Foto: ReutersCoronavírus aumenta na China e no Mundo
O vírus tem um índice de letalidade baixo, de 1,5% fora da China ― quando os casos chineses são levados em conta, o percentual sobe para 3,4%

A estratégia que tem sido adotada no país para enfrentar a doença é tratar os possíveis casos na atenção primária e internar apenas as pessoas que apresentem quadros respiratórios mais graves, já que o tratamento de pacientes com a Covid-19 são os mesmos de uma gripe comum. “O indivíduo que está com tosse e febre fica em casa, bem hidratado e bem alimentado”, defende o coordenador do comitê de contingenciamento criado pelo Governo do Estado de São Paulo, David Uip.

Levar pacientes infectados para dentro do ambiente hospitalar para fazer isolamento, informam autoridades de Saúde, só aumentaria as chances de propagação do vírus. Seria possível, por exemplo, que alguém sem o vírus deixasse a unidade infectado. Ou mesmo pacientes internados por outros motivos poderiam ter as chances de infecção aumentadas.

Foto: José Cruz/Agência BrasilMinistro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta
Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

“Nosso sistema já passou por epidemias respiratórias graves. A H1N1 foi mais grave do que esta se apresenta, porque pegava gente jovem e gestantes. O Brasil não é um país de concentração tão alta de idosos como os países europeus”, explica o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

A declaração faz referência ao grupo mais suscetível a contrair o coronavírus conforme as experiências no mundo, que integra pessoas acima de 60 anos, com a imunidade comprometida ou com comorbidades (a exemplo de pessoas transplantadas, portadoras de HIV sem tratamento e pacientes com câncer). Pessoas mais jovens podem contrair o vírus, mas estatisticamente apresentam casos mais leves da doença.

Nesse contexto, apenas devem procurar as unidades de saúde os pacientes que apresentem febre persistente após 24 horas (ou casos em que a febre desaparece e reaparece durante dois dias), com sintomas de desconforto respiratório e que tenham estado ou tido contato com pessoas que estiveram em 16 países com transmissão interna do vírus nas últimas duas semanas.

Veja lista de países:

• China

• Alemanha

• Austrália

• Coreia do Sul

• Coreia do Norte

• Camboja

• Emirados Árabes

• Filipinas

• França

• Irã

• Itália

• Japão

• Tailândia

• Vietnã

• Singapura

• Malásia

Embora alguns países tenham restringido a entrada de turistas em razão da rápida disseminação do coronavírus, o Governo brasileiro afirma que orienta pessoas vindas desses locais e acompanha pelo menos 38 pessoas que tiveram contato com o paciente infectado de São Paulo.

Elas não estão em isolamento domiciliar, mas são aconselhadas a evitar aglomerados de gente e seguir as mesmas medidas de precaução que o restante da população: lavar regularmente as mãos e o rosto, manter-se hidratado e com uma alimentação saudável. As orientações são as mesmas para evitar outras viroses, como evitar tossir ou espirrar próximo de outras pessoas, já que o coronavírus é transmitido pelas gotículas liberadas pelo corpo humano.

O Governo criou uma plataforma na internet, com um mapa interativo onde é possível acompanhar a evolução dos casos confirmados, suspeitos e descartados em todos os Estados brasileiros. Essas informações são atualizadas diariamente. Há 132 casos suspeitos no Brasil e 213 notificações que ainda não forma avaliadas, além de um único caso confirmado, em São Paulo.

Fonte: El País Brasil

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