Giulieny Matos

Gosta do cotidiano. É especialista em segurança pública e educadora autônoma. Formada pela Unb, trabalha atualmente em prol da prevenção precoce da violência. Colaboradora da Magazine Internacional IPA Brazil. Possui 12 livros publicados.
Gosta do cotidiano. É especialista em segurança pública e educadora autônoma. Formada pela Unb, trabalha atualmente em prol da prevenção precoce da violência. Colaboradora da Magazine Internacional IPA Brazil. Possui 12 livros publicados.

Faz diferença a cor da pele na hora de ganhar uma nota na escola?

Negar a discriminação e o preconceito é ignorar as injustiças sociais sofridas cotidianamente por estudantes negros

Era uma vez uma sala de aula, com alunos brancos e negros. Numa determinada escola do bairro, foi aplicada uma prova, de português, uma redação. As provas não continham os nomes dos alunos, mas apenas números. Foram fotocopiadas e distribuídas para professores, em diferentes locais e contextos, a fim de serem corrigidas.

Foto: Giulieny MatosA Menina Tagarela selecionada como um dos melhores livros infantis para participar da edição oficial na 3ª Bienal Brasília 2016
A Menina Tagarela selecionada como um dos melhores livros infantis para participar da edição oficial na 3ª Bienal Brasília 2016

Na sua opinião, seria possível parcialidade nas notas por causa da cor da pele ou tipo de cabelo do examinado? Pasme, a resposta é sim, infelizmente.

Numa segunda vertente, suponhamos que, professores, sem conhecerem os candidatos, poderiam dar notas igualitárias para os mesmos alunos? A resposta também é sim, felizmente.

Pode parecer absurda a pergunta, mas seria possível o próprio professor da turma avaliar todas as provas de alunos não brancos com notas inferiores aos alunos brancos? A resposta também é sim, infelizmente e tristemente, comprovam as dificuldades advindas do peso de uma cultura incutida negativamente, ao longo dos séculos, sobre os ombros alunos negros.

Um estudo de economistas da USP e da Universidade de Duke confirma que sim, que tudo isso é possível e acontece de verdade. Os autores compararam dados do exame da rede de São Paulo, corrigidos por uma máquina, às notas dadas pelos professores aos alunos em sala.

Fernando Botelho, Ricardo Madeira e Marcos A. Rangel do Departamento de Economia da USP, sendo o Rangel também da Princeton University, registraram uma conclusão bem deprimente em seu trabalho. O resultado encontrado aponta que alunos negros, com igual desempenho acadêmico de alunos brancos, tendem a receber notas menores de seus professores.

Segundo o estudo, dois alunos (um branco e um negro), com mesma nota no Estado e mesmo nível socioeconômico, o aluno negro terá menor probabilidade de ser promovido de ano na escola e de receber do professor uma nota acima da média da sala, em relação ao seu colega branco.

De um modo prático, os cientistas conseguiram quantificar o impacto da discriminação racial dentro de uma sala de aula. As implicações, além de injustas são perturbadoras, pois imagine essa diferença acumulada ao longo de toda uma vida escolar. Esta pesquisa foi publicada em 2013, em inglês (https://goo.gl/4dFw5q).

Foto: Giulieny MatosCurso OAB/ Taguatinga, em parceria com o TJDFT sobre Igualdade Racial e Combate ao Racismo
Curso OAB/ Taguatinga, em parceria com o TJDFT sobre Igualdade Racial e Combate ao Racismo, com Denise Eleutério

Em 2003 a Lei nº 10.639 instituiu o Dia Nacional da Consciência Negra. De lá pra cá, ouvi rumores de que a permanência dessa data estaria sendo questionada no currículo escolar, ainda que muita coisa precise ser feito sobre o assunto.

Como a escola está, atualmente, vencendo tais barreiras no desenvolvimento desses alunos? Como garantir que o local onde nossas crianças aprendem tenha iguais condições a todos? Às questões da cor da pele, tipo de cabelo, respeito e não preconceito, está sendo dada a devida atenção na formação dos profissionais educadores?

Para finalizar esse post de hoje, trouxe pra você três indicações de filmes que me fizeram refletir ainda mais sobre a violência gerada em torno dessa questão. Anota aí, assiste, e depois continuamos nossa conversa...

“American History X”, de 1998 (Crime/Drama ‧ 1h 59m), com um de meus atores preferidos, Edward Norton; “American Son”, super novinho, lançado pela Netflix em 1º de novembro de 2019 (Drama ‧ 1h 30m); e o dez vezes já premiado, intitulado “13ª emenda” (13th em inglês), de 2016 (Documentário/História ‧ 1h 40m).

Negar a discriminação e o preconceito é ignorar as injustiças sociais sofridas cotidianamente por estudantes negros. Quiséssemos nada disse existisse. No mínimo esses absurdos precisam ser combatidos com todas as forças sociais, políticas, econômicas, educacionais e morais.

Sou Giulieny Matos, para o mundo

Servo Per Amikeco,

Amiga das Histórias

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