Colégios militares recebem em 2019 menor investimento em 7 anos
Repasse caiu de R$ 32 mi para R$ 26 mi Queda de Fundo do Exército contribuiuO presidente Jair Bolsonaro defende um modelo de educação com maior influência de colégios militares. No entanto, o investimento feito pelo governo federal nessas instituições em 2019 foi o menor desde 2012. As escolas receberam R$ 26,17 milhões no ano passado. Em 2018, haviam sido repassados R$ 32,48 milhões. A redução foi de 19,41%. As informações foram obtidas via Lei de Acesso à Informação (LAI) junto ao Ministério da Defesa.
De acordo com o Ministério da Defesa –responsável pelos recursos das escolas militares–, existem duas fontes de verba federal para as instituições:
Ação 20XM: código para descrever recursos do Orçamento do Exército destinados especificamente à Educação Preparatória e Assistencial, ou seja, ao ensino médio e fundamental dos colégios militares.
Fundo do Exército: recursos da Quota Mensal Escolar (mensalidades) e de aluguel de permissionários do colégio militar (por exemplo: cantina, alfaiataria etc), que são recolhidos por meio de GRU (Guia de Recolhimento da União) e repassados aos colégios.
O menor valor repassado é explicado por alguns motivos. Um deles é a restrição de 30% no Orçamento de todo o Exército, o que acaba impactando também no dinheiro destinado aos colégios descrito na “Ação 20XM”.
Outro fator é a redução do percentual repassado pelo Fundo do Exército. Esse dinheiro fica contingenciado (bloqueado). Foi neste aspecto em que a redução foi mais significativa. O repasse caiu dos R$ 20,34 milhões de 2018 para R$ 14,57 milhões no ano passado. Ou seja, retração de 28,36%.
Outras circunstâncias, como a não renovação de contratos de permissionários ou até inadimplência, também podem contribuir para uma menor arrecadação. Consequentemente, reduziriam o repasse. No entanto, conforme o Poder360 levantou junto ao Exército, o fator mais relevante para explicar os repasses inferiores são os bloqueios de recursos.
Cinco colégios tiveram redução substancial no recebimento de verba do Fundo do Exército em relação a 2018:
Belo Horizonte (MG): -65,31%;
Salvador (BA): -62,33%;
Porto Alegre (RS): -59,52%;
Rio de Janeiro (RJ): -48,12%;
Santa Maria (RS): -35,59%.
A quantidade de alunos matriculados em cada colégio militar do país:
Colégio Militar de Brasília: 754
Colégio Militar de Belo Horizonte: 165
Colégio Militar de Curitiba: 182
Colégio Militar de Campo Grande: 186
Colégio Militar de Fortaleza: 151
Colégio Militar de Juiz de Fora: 191
Colégio Militar de Manaus: 276
Colégio Militar de Porto Alegre: 165
Colégio Militar do Recife: 233
Colégio Militar do Rio de Janeiro: 455
Colégio Militar do Salvador: 154
Colégio Militar de Santa Maria: 215
Colégio Militar de Belém: 412
De acordo com os dados, há um total de 3.539 estudantes matriculados nos colégios militares. Considerando o investimento de R$ 26,17 milhões feito pelo governo federal nessas instituições, é possível dizer que cada aluno numa instituição militar “custou” em média R$ 7.397,10 aos cofres públicos.
Em comparação, o governo federal –por meio do Ministério da Educação (MEC)– executou R$ 31,89 bilhões (R$ 31.890.774.811,95) em despesas na rede pública da Educação Básica para 38.328.085 alunos matriculados, segundo os dados do Censo Escolar 2018, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Considerando os investimentos feitos pelos governos estadual e municipal nessa rede pública de ensino, a média do custo desses estudantes é de R$ 6.381,00, de acordo com dados do Inep de 2015, elaborados pela ONG “Todos pela Educação”.
Se fosse considerada apenas a verba federal, a média seria de R$ 832,05 para cada aluno, conforme apontam dados do Siga Brasil –sistema de informações sobre o orçamento público federal– também elaborados pela ONG “Todos pela Educação”.
Fonte: Poder360
Comentários
Últimas Notícias
-
Geral
Povoado Peixe em Massapê do Piauí comemora início da obra de calçamento autorizada pela Secretaria do Agronegócio
-
Justiça
Sociedade Contemporânea: Congresso Internacional de Relações de Trabalho alerta sobre precarização do trabalho
-
Justiça
Valor de seguro de vida resgatável pode ser penhorado quando sacado pelo próprio segurado, decide STJ
-
Segurança Pública
STF restabelece adicional de periculosidade de guardas municipais de Santo André em São Paulo
-
Política
Aposta de Rafael Fonteles em blindar o ex-secretário de Saúde, Antônio Luiz, na Segurança Pública é no mínimo temerária