Augusto Aras muda Grupo de Trabalho após perder grande nome da 'Lava Jato' nacional

Depois da troca de comando do Grupo de Trabalho da Lava Jato vinculado ao seu gabinete, o PGR Augusto Aras, anuncia a disposição de reforçar a Lava Jato, mas parece fragilizá-la ao perder José Adonis

Foto: Rafael LuzPGR AUgusto Aras participou da abertura do II FONACOR
PGR Augusto Aras - ao participar da abertura do II FONACOR no STJ

Depois da troca de comando do Grupo de Trabalho da Lava Jato vinculado ao seu gabinete, o procurador-geral da República, Augusto Aras, anuncia a disposição de reforçar a Lava Jato em Curitiba e no Rio de Janeiro – estendendo a operação a outros estados e municípios. Aras promete fortalecer a atuação do Ministério Público no Sul do Pará, a fim de combater crimes ambientais.

Segundo informa sua assessoria, em fevereiro e março o PGR proverá cargos de procurador da República em todo o Brasil, com a remoção de 16 membros e nomeação de 14 novos procuradores da República. Também está prevista a realização de concursos públicos para membros e servidores, até o final de 2020.

Aras foi ágil ao substituir – a pedido – o então coordenador do grupo da Lava Jato na PGR, subprocurador-geral da República, Adonis Callou de Araújo, pela subprocuradora-geral Lindora Maria Araújo.

Callou de Araújo pediu o desligamento na quinta-feira (23). No dia seguinte, o Diário Oficial da União publicou a Portaria nº 42, sobre a dispensa, a pedido, do ex-coordenador. Na mesma página, saiu a Portaria nº 43, com a nova composição do Grupo de Trabalho.

O JTNews faz breve comentário acerca da saída do membro do MPF, José Adonis, da coordenação da Lava Jato

Quem conhece José Adonis e, sobretudo sua atuação ao longo de anos no Ministério Público Federal, não somente no exercício típico da carreira de procurador da República, mas, inclusive no colegiado do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), onde atuou com esmero, sabe da sua competência e imparcialidade no trato e na fiscalização da coisa pública. Homem simples e dedicado à missão que escolheu como profissão.

Foto: Arquivo pessoal/Assuero StevensonJosé Adonis - último da direita para a esquerda
José Adonis - último da direita para a esquerda

José Adonis Callou - na simplicidade que lhe é peculiar - na foto com o amigo e conterrâneo (dele), Assuero Stevenson [promotor de Justiça do Piauí] e os jovens advogados João Ribeiro e José Ulisses. O fato aqui registrado ocoreu no Shopping de Juazeiro do Norte no Ceará.

Provavelmente, a equipe do Procurador Geral da República, Augusto Aras, não comportava alguém da estirpe ou do tamanho de José Adonis Callou. Que bom seria que a sociedade pudesse saber os reais motivos de sua saída da coordenação da Força Tarefa Nacional da Lava Jato. Com certeza não foi em razão de nenhum tipo de omissão ou complacência com o erro e/ou com o ilícito, pois sem desmerecer os demais membros do MPF, não acredita-se que exista nas fileiras da PGR, nenhum membro seu com atuação mais republicana do que José Adonis, obviamente deve ter igual...

Portanto, é plenamente perceptível que existem ganhadores e perdedores com a saída repentina do ex-coordenador nacional da Lava Jato, José Adonis Callou; o homem digno e simples da Terra de Padre Cícero Romão Batista - Juazeiro do Ceará. É bem mais fácil de identificar quem mais perde com esse lastimável fato, pois, o grande perdedor é justamente o povo brasileiro, este que tanto sofre com os desvios de dinhero público, principalmente tendo parte significativa de políticos e magistrados corruptos como protagonistas da desgraça da corrupção avassaladora que atormenta principalmente a população menos favorecida da nossa República.

Essa é a opinião do JTNews.

Segue a continuação da matéria da Folha de S.Paulo...

A surpresa ficou por conta da inclusão, na força-tarefa, dos procuradores regionais da República Raquel Branquinho Pimenta Mamede Nascimento e Vladimir Barros Aras, primo do Chefe, Augusto Aras.

Raquel Branquinho foi braço-direito da ex-PGR Raquel Dodge na área criminal, como titular da Secretaria da Função Penal junto ao Supremo Tribunal Federal. A essa secretaria era vinculado o grupo de trabalho designado para auxiliar a PGR na análise dos desdobramentos da Lava Jato em trâmite no Supremo (Lindora Araújo, por sua vez, integra a atual equipe da gestão da PGR como secretária da Função Penal Originária no Superior Tribunal de Justiça).

Vladimir Aras foi braço-direito do ex-PGR Rodrigo Janot, em cuja gestão atuou como secretário de Cooperação Jurídica Internacional da PGR.

As duas designações provocaram um desencontro de informações, nos últimos dias. Em mensagens a colegas Raquel Branquinho teria dito que não tem condições de assumir por questões familiares. Vladimir Aras, por sua vez, até este sábado não teria confirmado a colegas se aceitou ou não a designação.

Como observa um experiente membro do MPF, essas designações são sempre precedidas de convites previamente formulados e aceitos. Ninguém iria aceitar trabalhar como assessor se não estivesse de acordo com o assessorado. Nunca houve designação à revelia.

Augusto Aras afirmou ao Blog que “Raquel e Vladimir aceitaram o convite e se reunirão ao grupo ao retornarem às atividades funcionais, dando suas contribuições aos trabalhos em curso”.

A portaria que tratou das alterações no Grupo de Trabalho registra que “a atuação do grupo se dará com dedicação exclusiva, com desoneração integral de seus membros na unidade de origem”, exceto em relação a Raquel Branquinho e Vladimir Aras, “que atuarão em desoneração de 50%” [de sua carga de trabalho na procuradoria regional].

Ao criar um fato novo –o convite aos dois procuradores regionais– Aras pode ter reduzido  o desgaste com a saída de José Adonis Callou de Araújo.

O ex-coordenador, segundo revela a imprensa, não fez comentários sobre o pedido de dispensa. Ele foi convidado para o cargo pelo vice-procurador-geral da República, José Bonifácio Borges de Andrada. Teria aceito com um compromisso de autonomia que –aparentemente, segundo alguns colegas– não se confirmou.

Ao mesmo tempo, a designação de Vladimir Aras e Raquel Branquinho empresta a Augusto Aras a imagem de estrategista e conciliador, por trazer para seu gabinete dois nomes vinculados aos antecessores na PGR, e que não apoiaram a escolha do atual procurador-geral.

Vladimir Aras disputou a indicação pela lista tríplice da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) em 2019 e não foi classificado. Para alguns colegas, sua entrada na equipe do primo não foi surpresa.

Fonte: Folha de S.Paulo | informação complementar do JTNews

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