Poeta piauiense escreve carta em forma de poesia ao presidente Bolsonaro, cujo tema é irrigação

Jurdan Gomes se expressa por meio da 'poesia' para clamar por melhorias para o povo nordestino, que é vítima da falta de políticas públicas dos governantes no combate à seca que maltrata o Sertão

"A única arma do poeta é a poesia, me peguei com ela", são as palavras de Jurdan Gomes, ao anunciar que fez uma carta dirigida ao Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro clamando por atenção à irrigação do Nordeste brasileiro.

Foto: Arquivo PessoalPoeta Piauiense Jurdan Gomes
Poeta piauiense Jurdan Gomes, ex-prefeito de Belém do Piauí

Poeta e jornalista, Jurdan Gomes busca através da sua 'poética', preservar os valores e a cultura do povo nordestino, por meio da poesia, reinvidica por melhores condições para o Nordeste. Clama pela irrigação no Nordeste e critica a classe política. Para o escritor-poeta popular, muitos políticos esquecem de investir e valorizar uma terra tão rica, porém ignorada.

"Olha se o Nordeste fosse irrigado, acabaria o problema da seca, e o Nordeste seria outro, pois água é só o que tem sob a terra principalmente aqui no Piauí," afirmou ao JTNews, Jurdan Gomes. 

Foto: Jacinto TelesSeu Toinho da 'Chapada" morreu e não presenciou a irrigação necessário no semiárido; já seu neto Jacinto, migorou para SP, hoje adulto e empregado
Seu Toinho da 'Chapada" - Antônio Cândido da Silva, morreu e não presenciou a irrigação necessária no semiárido jaicoense; já seu neto, Jacinto Vicente Pereira, migrou para São Paulo, onde hoje já adulto é empregado celetista

Confira a carta endereçada ao Presidente da República

"Excelentíssimo Senhor Presidente 

Jair Messias Bolsonaro 

Estou sendo honesto e claro 

Falando a vossa excelência 

Tome logo a providência 

Agindo com precisão 

Fazendo a irrigação 

Cumprindo assim a promessa 

Que o nordeste tem pressa 

De ver essa solução. 

A seca são circunstâncias 

Por força da natureza 

Pra eu nunca foi surpresa 

Quando a estiagem vem 

Nos trajetos do além 

Só Deus sabe a direção 

Pra tudo existe a razão 

O mundo foi feito assim 

Existe o bom o ruim 

Faz parte da criação 

Quando Deus criou o mundo 

Fez bem a sua maneira 

Fez o mar, a cordilheira 

Fez vale serrote, e serra 

Fez o mapa desta terra 

Com muita diversidade 

Existe o campo, a cidade 

Clima frio, e clima quente 

Cada coisa diferente 

Com particularidade 

A seca não é problema 

O problema é não querer 

O homem com seu poder 

Se faz de desentendido 

Pois mesmo sem ter chovido 

A água está sob o chão 

Existe a irrigação 

Pra fenecer o dilema 

Acabar todo problema 

Da seca em nosso sertão 

O problema é se acabar 

A seca no nosso chão 

Quando vir a eleição 

Está extinto o curral 

O político se dá mal 

Perde o voto encabrestado 

Pois ele é manipulado 

Devido  a necessidade 

Se ele tiver liberdade 

O cabresto está quebrado 

O problema do nordeste 

Não é  meteorologia 

É sim a filosofia 

De quem detém o poder 

A irrigação faz crescer 

O povo cresce também 

Quem vive se dando bem 

Perderá sua postura 

Na sua vida futura 

Não ordenará ninguém 

Debaixo de nosso chão 

Água tem em abundância  

Pra desmanchar a ganância 

De quem não ver o real 

O grande manancial 

Está aí  pra nos salvar 

É cavar e irrigar 

Dessalinizar à bessa 

Que aí  se cumpre a promessa 

Do nordeste prosperar 

Pois esses paliativos 

Maltratam o povo demais 

Melhora não vem jamais 

Só alimenta o sofrer 

Isso só pra nos prender 

Por fora da precisão 

Finge que estende a mão 

É uma farsa real 

É um plano eleitoral 

Pra ganhar a eleição. 

A seca no nosso chão 

Ela é alimentada 

É usada arquitetada 

Pra fabricar eleitor 

Aquele que sente a dor 

Por conta da precisão 

Não conhece o papelão 

De quem só tira proveito 

Manipula do seu jeito 

A nossa população. 

Se tem água em abundância 

Debaixo de nosso chão 

Só falta mesmo intenção 

De querer ver o progresso 

Só falta mesmo o ingresso 

No desejo de fazer 

Querer se comprometer 

Pra o nordeste ser feliz 

Engrandecendo o país 

Findando o nosso sofrer. 

Nosso chão  fecundante 

Produz com facilidade 

Só falta mesmo a vontade 

De agir com precisão 

De tomar a decisão 

De ver nosso solo rico 

Não estou pagando mico 

Mostrando o feitor da culpa 

Não adianta desculpa 

Isso é problema político. 

Israel  que chove pouco 

Conseguiu essa proeza 

Pra gente não é  surpresa 

Quando o progresso chegar 

O Brasil vai comprovar 

Do sul norte, centro, oeste 

Como também no sudeste 

Esta frase tão citada 

Que a seca não é culpada 

Dos problemas do nordeste. 

O nordeste será grato 

Com o seu chão irrigado 

O sertanejo amparado 

Vendo o sonho ser real 

O nosso povo rural 

Na  sua labuta investe 

De alegria se veste 

Congratulado e contente 

Se o senhor presidente 

Irrigar nosso nordeste. 

Carta enviada ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro.

Autor: Jurdan Gomes - Ex-prefeito de Belém do Piauí.

Politíco e poeta, é autor do hino de Fonteiras-PI, hino de Padre Marcos-PI, hino de Belém do Piauí. Do tema do tributo de Gonzaga em São Luis-MA. Autor de várias obras, o político e escritor sempre procurou defender  o Nordeste, dentre outros motivos, principalmente por conhecer de perto essa realidade avassaladora, pois em sendo prefeito de uma cidade do seimárido nordestino, sentiu a dor do sertanejo sem água para, inclusive beber [no período de estiagem  essa é uma realidade cruem nessa região do Brasil].

Já escreveu aos então presidentes Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e agora ao atual presidente Jair Bolsonaro, tratando  justamente do que é muito importante para o Nordeste, a irrigação.

Fonte: JTNews com informações de Jurdan Gomes

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