Fábula
" ... O bicho não era um cão, / Não era um gato, / Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem". O Bicho, Manuel Bandeira.Na polarização política no Brasil, é comum grupos se acusarem mutuamente de jumentos e de gados. Não vou entrar nessa questão, pois além de eu supor que saibamos a quem se refere cada apelido, discordo dessas comparações. Acho mesmo que os políticos nos tratam é como bodes. Quero alertá-los de que nada tenho contra quadrúpedes.
No País, 90% da criação de caprinos se concentram no Nordeste — conhecido pelas altas temperaturas, regiões áridas e montanhosas. Tem que ser muito forte para resistir ao calor (quem pode pagar a conta de luz sem um "gato"?!) e menos seletivo na alimentação (come-se o pouco que o dinheiro mais pouco ainda consegue comprar!). Na verdade, durante toda a vida, sobrevive-se à escassez de alimentos.
A resiliência é outra característica dos ruminantes. Já pensou esse povo, quero dizer, esse rebanho estressado?! Candidatos em campanha teriam que sair com proteção nas nádegas para suportarem as chifradas.
Diante da precariedade da assistência médico-hospitalar, pense como seriam nossas vidas se não fôssemos resistentes a doenças e parasitas! Nós não: os bodes!
E com a recorrente estiagem e a falta de humanidade dos governantes, a capacidade de concentrar urina e secar fezes nos faz economizar água. Eu mesmo não tomei nem sequer um copo hoje. Que confusão a minha! Meu cabrito que bebeu só umas gotinhas.
Por fim, esses bichos são criados do jeito que dá; pernoitam em qualquer canto; alimentam-se de qualquer ração. Em tempos de glória, são expostos em feiras; vendidos e comprados; abatidos e comidos... tiram-lhe até o couro.
Meu prosopopaico leitor deve estar agora proferindo contra mim as ofensas mais onomatopaicas. Nesta história, eu também não me senti confortável em ser tratado como um bode, tampouco aprovei o trágico epílogo. E quanto a ser jegue ou bovino, deixo que meu prefeito desenvolva o enredo.
P.S: Apesar de boatos de insatisfação de uma e outra personagem, até o fechamento desta matéria nenhum bode, nenhum asno, nenhum felino (da energia elétrica), nenhum político gatuno procurou nossa redação. O curral (ops!), o espaço continua aberto.
Flávio José Pereira da Silva [Flávio de Ostanila] é professor de Língua Portuguesa, bacharel em Direito, policial penal, escritor e jornalista.
Fonte: JTNEWS
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