CPI DO TRANSPORTE PÚBLICO: empresários afirmam ter condições de honrar o contrato quando os débitos forem quitados

Na última oitiva, foram ouvidos os empresários da Piauiense e Emtracol, empresas que compõem o Consórcio Poty

Aconteceu nessa terça-feira (25/05), a comando do vereador Dudu, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Público, a continuidade das oitivas com os depoimentos dos empresários da Piauiense e Emtracol, empresas que compõem o Consórcio Poty.

Foto: DivulgaçãoCâmara Municipal de Teresina
Câmara Municipal de Teresina

Nos depoimentos as empresas afirmaram ter condições de honrar o contrato, contanto que os débitos sejam quitados e os pagamentos posteriores sejam regularizados. 

Piauiense

O representante da Piauiense, Alberlan Euclides, afirmou que a empresa começou a operar com 42 ônibus e hoje apenas 10 veículos circulam. Segundo o empresário, a redução se deu em função da pandemia. “Nós demitimos apenas 19 trabalhadores, estamos com uma carga enorme na folha de pagamento e não podemos demitir porque a rescisão é muito cara. Para se ter noção, se eu vender a empresa e todos os carros, ainda não terei como pagar a rescisão" disse o empresário.

Segundo Euclides, a situação ficou muito complicada com o surgimento da pandemia e o sistema está carente de um olhar atento do poder público e o pagamento às empresas, que em suas palavras "é necessário não para lucro, mas sim para termos condições de continuar e melhorar o serviço para a população".

O empresário ainda afirmou que de 2015 a 2020 houveram acordos judiciais e extra judiciais e citou os valores pagos à empresa Piauiense. “Foram quatro acordos judiciais, com o pagamento dividido em parcelas. O primeiro foi no valor de R$1,5 milhão, dividido em 18 meses; o segundo foi de R$3 milhões, dividido em 36 meses; o terceiro foi de R$129 mil, pagos entre novembro de 2019 e fevereiro de 2020; o quarto é de quase R$500 mil, cujo pagamento ainda está pendente. O acordo extra judicial foi de R$ 936 mil”, disse Alberlan.

Alberlan finalizou seu depoimento falando sobre os terminais de integração de Teresina, para ele o que falta nos terminais é "entretenimento" ao usuário.  O representante também fez uma analogia com o sistema de aviação brasileiro. Segundo ele, os terminais deveriam ser também um espaço de compra enquanto os usuários esperam os ônibus.

“A forma como foi aplicada é moderna, não resta dúvida. A integração é necessária, porque você regulando os ônibus no terminal, você terá mais ônibus. Isso é o futuro. O que ficou faltando foi entretenimento para as pessoas passarem o tempo, assim como acontece nos aeroportos”, finalizou.

Emtracol

Após o depoimento do responsável pela empresa Piauiense, foi a vez do representante da Emtracol, Herbert Campelo, ser ouvido. Ele afirma que a sua empresa recebeu, nos últimos cinco anos, um subsídio de cerca de R$9,7 milhões e relata as mesmas dificuldades citadas pelo primeiro depoente, mas garante ter condições de continuar prestando os serviços na capital se os pagamentos forem regularizados. 

“Nunca recebemos em dias, sempre o valor é aquém da perícia judicial e os acordos sempre são com valor dividido. Viemos bancando esse sistema há anos e hoje estamos realmente com dificuldade. Com a pandemia isso foi agravado, não existe mais faturamento da empresa, tivemos que botar os carros para rodar sem passageiros e sem pagamento, estamos desde novembro do ano passado sem receber o valor mensal e sem receber o valor do acordo. Temos condições de honrar o contrato, contanto que passemos a receber os pagamentos em dias para que possamos pagar as contas da empresa e fazer investimentos”, afirmou o empresário. 

Presidente da CPI

Foto: Joélia Cantuária/JTNewsVereador Eduardo Borges - Dudu
Vereador Eduardo Borges - Dudu

Para o vereador Dudu, a sistemática da CPI tem sido eficaz ao ouvir cada empresário. “Todas as empresas trazem assuntos novos que darão robustez à esta CPI, mas hoje ficou claro que é preciso encontrar um mecanismo de repactuação do sistema para que ele funcione efetivamente. Tivemos nos depoimentos alegações descabidas para empresas que operam há seis anos, mas o fato é que estamos pedindo diversas informações das empresas e do poder público para que possamos fazer a ligação do que eles estão dizendo com os números que vão apresentar nos documentos", declarou o vereador.

O presidente da comissão afirmou que o objetivo da CPI é encontrar um caminho para tentar resolver a questão do transporte público da cidade e que ouvindo todos os envolvidos terá um resultado mais eficaz. 

CPI do Transporte Coletivo

Foto: PMTA determinação da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) é mais uma tentativa de melhorar os índices de isolamento social na capital.
A determinação da CPI é para resolver os problemas recorrentes no transporte público da cidade

Iniciada na semana passada (18/05) a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Público de Teresina, tem como objetivo identificar possíveis irregularidades nos contratos e na prestação dos serviços na capital.

Os primeiros a serem ouvidos foram os representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário (Sintetro). Em seu depoimento, o presidente do Sintetro, Ajuri Dias, falou sobre os problemas infrentados no início da pandemia e sobre a falta de pagamento e demissões recorrentes. 

A segunda reunião da comissão aconteceu na última quinta-feira (20/05), e ouviu o empresário Afrânio Euclides, dono da Emvipi, uma das empresas que prestam serviços de transporte coletivo na capital e que compõe o Consórcio Poty, responsável pelas linhas da zona norte de Teresina. Segundo Afrânio, a prefeitura descumpre o contrato, não fazendo o repasse de recursos financeiros e tem uma dívida de cerca de R$20 milhões.

Fonte: JTNEWS

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