Bolsonaro quer expor técnicos da Anvisa que liberaram a vacina da Pfizer para crianças
Bolsonaro voltou a criticar a exigência de vacinação e o passaporte sanitário, e disse que avaliaria com a primeira-dama Michelle se vai ou não imunizar a filha Laura, de 11 anosNessa quinta-feira (16/12), o presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciou que pediu os nomes dos integrantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) responsáveis por aprovar a aplicação da vacina da Pfizer contra a Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos.
Bolsonaro voltou a criticar a exigência de vacinação e o passaporte sanitário, e disse que avaliaria com a primeira-dama Michelle se vai ou não imunizar a filha Laura, de 11 anos.
"Eu pedi extraoficialmente o nome das pessoas que aprovaram a vacina para 5 a 11 anos. Nós queremos divulgar o nome dessas pessoas", afirmou Bolsonaro, durante sua live semanal. "A responsabilidade é de cada um. Mas agora mexe com as crianças, então quem é responsável por olhar as crianças é você, pai. Eu tenho uma filha de 11 anos de idade e vou estudar com a minha esposa bastante isso aqui."
"Não sei se são os diretores e o presidente [da Anvisa, Antonio Barra Torres] que chegaram a essa conclusão ou se foi o tal do corpo técnico. Mas seja como for, você tem o direito de saber o nome das pessoas que aprovaram [a vacina] para o seu filho a partir de 5 anos. E você decida se compensa ou não", disse Jair Bolsonaro, em novo ataque às vacinas.
O presidente, no entanto, reforçou que não tem poder de interferência na Anvisa, uma vez que a agência não está subordinada a ele, e voltou a dizer que não foi imunizado contra a Covid-19, diferentemente de Michelle Bolsonaro, que se vacinou em setembro, nos Estados Unidos.
Aval da Anvisa
A decisão da Anvisa de liberar a vacina da Pfizer para o público infantil foi anunciada na manhã dessa quinta (16). Os técnicos da agência analisaram um estudo feito com 2.250 crianças, divididas em dois grupos. Dois terços tomaram vacina e um terço tomou placebo (substância que não tem efeito no organismo) em um esquema de duas doses, com intervalo de 21 dias.
A pesquisa comprovou que o imunizante é seguro e eficaz, com benefícios que superam os riscos. O perfil de segurança da vacina [para crianças] quando comparado com placebo é muito positivo. Ao observar qualquer reação adversa, não tem diferença importante e não tem nenhum evento sério de preocupação por conta da vacinação comparado com placebo.Gustavo Mendes, da Anvisa, ao justificar autorização
Ainda não há previsão para o início da campanha para este público, uma vez que o Ministério da Saúde não comprou doses pediátricas — que corresponde a um terço da aplicada nos adultos — do imunizante.
Anvisa repudia fala de Bolsonaro e diz que trabalha pautada na ciência
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nesta sexta-feira (17/12), uma nota repudiando ameaças ao trabalho do órgão, após o presidente Jair Bolsonaro (PL) dizer que iria pedir os nomes dos responsáveis pela decisão de autorizar a vacina da Pfizer contra a Covid-19 para crianças de cinco a 11 anos.
No comunicado, a agência diz que suas decisões em relação à análise de vacinas são pautadas na ciência e que "seu ambiente de trabalho é isento de pressões internas e avesso a pressões externas."
"A Anvisa está sempre pronta a atender demandas por informações, mas repudia e repele com veemência qualquer ameaça, explicita ou velada que venha constranger, intimidar ou comprometer o livre exercício das atividades regulatórias e o sustento de nossas vidas e famílias: o nosso trabalho, que é proteger a saúde do cidadão", diz trecho de nota divulgada pela Anvisa
A nota acrescenta que todas as resoluções do órgão "estão direta ou indiretamente atreladas ao nome de todos os nossos servidores, de um modo ou de outro".
Veja abaixo o comunicado na íntegra divulgado pela Anvisa:
"Em relação às declarações do Sr. Presidente da República durante "Live" em mídia social no dia 16 de dezembro de 2021 a Agência 'Nacional de Vigilância Sanitária comunica:
A Anvisa, órgão do Estado Brasileiro, vem a público informar que seu ambiente de trabalho é isento de pressões internas e avesso a pressões externas.
O serviço público aqui realizado, no que se refere à análise vacinal, é pautado na ciência e oferece ao Ministério da Saúde, o Gestor do Plano Nacional de Imunização - PNI, opções seguras, eficazes e de qualidade.
Em outubro do corrente ano, após sofrer ameaças de morte e de toda a sorte de atos criminosos, por parte de agentes antivacina, no escopo da vacinação para crianças, esta Agência Nacional se encontra no foco e no alvo do ativismo político violento.
A Anvisa é líder de transparência em atos administrativos e todas as suas resoluções estão direta ou indiretamente atreladas ao nome de todos os nossos servidores, de um modo ou de outro.
A Anvisa está sempre pronta a atender demandas por informações, mas repudia e repele com veemência qualquer ameaça, explicita ou velada que venha constranger, intimidar ou comprometer o livre exercício das atividades regulatórias e o sustento de nossas vidas e famílias: o nosso trabalho, que é proteger a saúde do cidadão".
Fonte: JTNEWS com informações do UOL Notíciais
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