Assessor do Planalto usa jato da FAB para voo exclusivo à Índia e é afastado por Bolsonaro

Presidente anunciou afastamento do cargo do secretário-executivo da Casa Civil da Presidência

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (28) que o secretário-executivo da Casa Civil, Vicente Santini, será destituído do cargo após usar um jato da Força Aérea Brasileira (FAB) para viajar à Índia.

"Inadmissível o que aconteceu. Já está destituído da função de executivo do Onyx [Lorenzoni]. Destituído por mim. Vou conversar com Onyx para decidir quais outras medidas podem ser tomadas contra ele. É inadmissível o que aconteceu, ponto final", afirmou o presidente nesta terça-feira (28), ao chegar ao Palácio da Alvorada após viagem à Índia.

Foto: Sérgio Lima/Poder360Bolsonaro ao lado de Vicente Santini (dir.) em cerimônia pela assinatura de um decreto em setembro de 2019
Bolsonaro ao lado de Vicente Santini (dir.) em cerimônia pela assinatura de um decreto em setembro de 2019

Bolsonaro ficou irritado com o fato de Santini ter usado um jato da FAB com apenas três passageiros para voar de Davos, onde participava do Fórum Econômico Mundial, para Déli, para acompanhar a viagem presidencial.

A informação foi divulgada pelo jornal O Globo. Segundo o jornal, Santini seguiu de Davos (Suíça) para a Índia num voo da FAB com apenas mais duas assessoras. O secretário estava representando o titular da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que está em férias.

Ao dizer nesta terça-feira que Santini deixará o posto que ocupa atualmente, o presidente não excluiu a possibilidade de ele ocupar outra funções no governo federal.

"O cargo de executivo da Casa Civil já está perdido. Outras coisas virão depois de eu conversar com Onyx", disse. "Isso é decisão minha. Aguardo Onyx, não posso também desprestigiar o ministro, né? Vou ver os argumentos dele. Daí ver se teremos mais alguma medida suplementar disso aí", disse.

Bolsonaro disse que o uso da aeronave não é "ilegal" mas "imoral". A assessoria de imprensa da Casa Civil informou que "a solicitação [do avião] seguiu os critérios definidos na legislação vigente".

"O que ele fez não é ilegal, mas é completamente imoral. Ministros antigos foram de aviões lá comercial, classe econômica. Eu mesmo já viajei no passado, não era presidente, para Ásia toda de comercial, classe econômica, e não entendi. A explicação que chegou no primeiro momento: 'ele teve de participar de reunião de ministros por isso…' Essa não, essa desculpa não vale."

Fonte: Folha de S.Paulo

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