Noélia Sampaio

Advogada, professora, especialista em direito do trabalho, membro das Comissões de Direito do Trabalho e da Mulher OAB/PI, membro da Comissão feminista da ABRAT, ativista em defesa dos direitos da Mulher, co-autora do Livro: Mulheres Desvelando o Cotidiano e seus Múltiplos Desafios.
Advogada, professora, especialista em direito do trabalho, membro das Comissões de Direito do Trabalho e da Mulher OAB/PI, membro da Comissão feminista da ABRAT, ativista em defesa dos direitos da Mulher, co-autora do Livro: Mulheres Desvelando o Cotidiano e seus Múltiplos Desafios.

Empreendedorismo e empoderamento para mulheres negras

"As mulheres negras, por si só, são empreendedoras" ressalta Jeolfa Farias, afro-empreendedora da Quitanda das Pretas

O conceito da palavra empreendedorismo está adstrito intimamente à  capacidade de criar oportunidades, solucionar problemas, agregar valores e contribuir para a sociedade de maneira inovadora.

Como estamos no mês de março e a intenção do Blog é homenagear mulheres que se destacam na luta pelo empoderamento, vamos descrever um pouco sobre o afroempreendorismo feminino.

A entrevistada desta semana é Joelfa Farias, Mulher Negra, afro-empreendedora da Quitanda das Pretas, Umbandista, Candomblecista e com formação em Assistência Social, além de pesquisadora da história e da ascentralidade negra.

Foto: Arquivo Pessoalafro
Joelfa Farias, Mulher Negra, afro-empreendedora da Quitanda das Pretas

Segundo a mesma, resolveu empreender a partir de 2017, pois precisava desenvolver seus trabalhos religiosos e viu essa saida como meio de complementar a sua renda. Começou a divulgar os seus trabalhos de forma tímida, mas não fazia ideia da dimensão que esse empreendimento ia tomar. De repente, se viu sendo requisitada por várias pessoas, de vários segmentos e instituições, o que a surpreendeu positivamente.

“As mulheres negras, por si só, são empreendedoras, pela necessidade de terem suas autonomias, pois estão no último patamar em colocação no mercado de trabalho”, ressaltou Joelfa Farias.

Ao ser questionada, sobre a aceitação do empreendedorismo afro, ela diz que já avançou bastante, hoje tem maior aceitação, mesmo porque há varios canais para se divulgar, como a mídia e as redes sociais, que tem ajudado nessa disseminação e propragação. Contudo, sobre o segmento que a entrevistada trabalha, ela relata ainda ter algumas dificuldades, pois empreende com material/artesanato religioso, especificamente de matriz africana, e ainda percebe uma certa intolerância praticada tanto no nosso estado como no nosso pais.

Ainda sobre dificuldades encontradas, de forma geral, para quem deseja empreender, Joelfa Farias cita a questão da ausência de recursos ou timidez desses, pois  no seu caso, muitas coisas precisam ser adquiridas de fora, e não há uma maior flexibilidade por parte dos bancos e credores para liberação  de créditos, o que impede, na maioria das vezes, o crescimento do negócio, ou seja, é um grande entrave para o empreendedorismo.

O afro-empreendedorismo, além de levar consigo esse aspecto do empreendedorismo, também contém em sua essência uma ideologia que leva à tona outras discussões sobre assuntos de extrema relevância como a inserção social, o racismo e o empoderamento.

Não diferente de atividades que geram recursos, uma consequência do empreendedorismo é ser decisivo no desenvolvimento social e econômico do país. Portanto, o empreendedorismo é essencial nas sociedades e, o afro-empreendedorismo, indispensável para  o fortalecimento da cultura negra, a busca da independência criativa, entre outros fatores.

Para Joelfa Farias, que além de empreender luta pelo empoderamento de outras mulheres, ajudar outras mulheres a ter sua liberdade financeira, é libertar milhares da violência doméstica, de doenças psicológicas, etc. Sempre em seus diálogos procura fortalecê-las, uma vez que seu empreendimento é na maior parte do tempo itinerante, isso faz com que tenha mais acesso à várias mulheres que precisam de ajuda e esclarecimentos sobre a temática.

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