Silvio Barbosa

Professor concursado do Curso de Comunicação Social da UFPI, campus Teresina. Doutor em Comunicação e Mestre em Filosofia do Direito é advogado e jornalista, com 24 anos de experiência de mercado, tendo trabalhado em empresas como Rede CBS (Estados Unidos), Globo, Bandeirantes, Record e TV Cultura. Autor dos livros TV e Cidadania (2010) e Imprensa e Censura (no prelo) e dos documentários Vale do rio de lama - no rastro da destruição, e Sergio Vieira de Mello, um brasileiro em busca da paz no mundo.
Professor concursado do Curso de Comunicação Social da UFPI, campus Teresina. Doutor em Comunicação e Mestre em Filosofia do Direito é advogado e jornalista, com 24 anos de experiência de mercado, tendo trabalhado em empresas como Rede CBS (Estados Unidos), Globo, Bandeirantes, Record e TV Cultura. Autor dos livros TV e Cidadania (2010) e Imprensa e Censura (no prelo) e dos documentários Vale do rio de lama - no rastro da destruição, e Sergio Vieira de Mello, um brasileiro em busca da paz no mundo.

Até a Capitã Cloroquina já tomou a primeira dose de vacina

A ciência está vencendo o Covid-19

Sim, Mayra Pinheiro, médica negacionista do Ministério da Saúde, defensora ardorosa da Cloroquina (que combate protozoários da Malária, e não COVID-19), decidiu se juntar a nós, que respeitamos a ciência. Sorrindo, ela postou a foto com a carteirinha de vacinação e as anotações da primeira dose da AstraZeneca.

Está sendo muito criticada nas redes sociais bolsonaristas, que consideram a atitude um desrespeito a tudo o que o governo federal vinha defendendo. Talvez seja um ato isolado dela ou, se levarmos em conta que até a Ministra Damares falou que "só a vacina cura", pode se tratar, na verdade, de uma bem-vinda mudança de rumo na esquizofrênica condução dessa pandemia no Brasil.

Foto: Sílvio Henrique V. BarbosaProfessores recebem 1ª dose da vacina AstraZeneca, em Teresina (PI)
Professores recebem 1ª dose da vacina AstraZeneca, em Teresina (PI)

Coincidentemente, acabei de tomar minha 1ª dose de AstraZeneca, também. Vi um meme, que mostrava um Garibaldo (pássaro gigante da Vila Sésamo) arrombando uma porta, sendo comparado aos efeitos da AstraZeneca em algumas pessoas.

Na hora da picada, tudo bem! Uma hora depois, forte dor de cabeça que só passou após 30 gotas de Neosaldina (usada para isso mesmo, dor de cabeça). Boa noite de sono, fui ao trabalho, malhei a tarde e, enfim, não tive efeitos colaterais. Bom, a não ser pela dor no braço que, em alguns momentos, lembra a de outra temida vacina, a Benzetacil.

Já meu colega Leo, também professor, vacinado no mesmo dia, não teve nenhuma dor no braço. Mas teve febrão e uma noite inteira insone, perdendo a manhã de trabalho.

Outras vacinas não oferecem tantos inconvenientes como a AstraZeneca, mas sou grato por essa vacina finalmente ter chegado até nós, professores do Piauí. Eu já estava com "invejinha do Bem" do nosso vizinho Maranhão, que tinha vacinado seus mestres em maio.

Minha próxima dose, infelizmente, será só na primeira semana de setembro. Parece tão longe...

Parece tão longe também minha contaminaçao com o Covid-19. Descobri assim: fui dormir bem na segunda-feira, mas amanheci destruído na terça-feira, 23 de fevereiro. Dores muito fortes na juntas, pernas, braços, costas, enfim, no corpo todo. Não conseguia sair da cama. Pensei: - Meu Deus, estou com dengue!

As horas foram passando comigo deitado e veio a dor de cabeça, que chegou para ficar, e uma tossinha leve, tipo alérgica.

No segundo dia, mesmo quadro e já mais acostumado com as dores. Mas no terceiro dia, a novidade: a garganta começa a arranhar. Hora de ir ao hospital. Pediram exames de sangue para dengue e Covid-19 e uma tomografia.

Na sexta-feira (4º dia), fiz os exames todos. O negativo para dengue veio rápido. Mas só na terça-feira (8º dia) saiu a confirmação do Covid. E todos esses dias eu ia ao pronto socorro para tomar medicação para febre. Foi só na quinta-feira (10ª dia), já com dificuldade para respirar, que o médico decidiu entrar com a medicação efetivamente utilizada nos hospitais: Zinnat, Dexametasona e Novalgina (essa última já velha conhecida ao longo da semana). Para completar, 6 âmpolas de Versa, a serem aplicadas na barriga para impedir embolia.

Juntamente com esses medicamentos, a previsão otimista do médico: - Olhe, o 10º dia é o pior da infecção. De agora em diante, vc vai melhorar!

Dito e feito! Fui sarando nos dias seguintes, com a respiração retornando aos poucos à normalidade. No 15º dia, dia oficial do isolamento, quando não contaminaria mais ninguém, estava apenas com uma tosse fraca. Por isso, continuei evitando sair de casa para não constranger outras pessoas.

Finalmente curado, mantive por alguns meses algumas seqüelas da doença: cansaço e desânimo, dor de cabeça frequente e certa perda de memória. Mas tudo isso tem diminuido e, acredito, vai desaparecer de uma vez nos próximos meses.

A expectativa, agora, é a de receber a segunda dose para não correr o risco de ter nova infecção. Bem antes da vacinação, dois colegas se contaminaram novamente num espaço curto de 4 ou 5 meses entre cada infecção. E, nos dois casos, a segunda infecção veio tão forte quanto a primeira.

Por isso, precisamos todos, vacinados ou não, continuar nos cuidando, com o uso de máscara e álcool gel, estes sim os verdadeiros tratamentos precoces contra o Covid-19.

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