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Jair Bolsonaro acusa jornalista da Globo de receber R$ 375 mil em palestra do SENAC

Merval Pereira usou seu blog para responder as acusações do presidente e tentar explicar o que aconteceu, que na realidade nada explicou

Foto: Alan Santos / Palácio do Planalto / Divulgação
Jair Bolsonaro

O jornalista Merval Pereira usou seu blog do Grupo Globo para rebater acusações do presidente Jair Bolsonaro. Em seu artigo, Merval deixa claro que essa não é a primeira acusação da família Bolsonaro: em janeiro, o vereador Carlos Bolsonaro postou em sua conta do Twitter que o jornalista havia recebido R$ 375 mil por uma palestra contratada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) do Rio de Janeiro.

Foto: Alan Santos / Palácio do Planalto / Divulgação
Jair Bolsonaro acusa jornalista de receber R$ 375 mil 

No sábado, Jair Bolsonaro voltou a falar no nome do jornalista justamente sobre a palestra. “Acabei de postar aí uma matéria sobre o Merval Pereira. Palestra por 375 mil reais, tá legal? Tá ok? 375 pau uma palestra no Senac, tá ok? Façam matéria agora. Se vocês não fizerem nenhuma matéria sobre isso amanhã no jornal eu não dou mais entrevista pra vocês, tá legal? Tá combinado? Toda a imprensa. Tá combinado? E tem mais nome também, eu só botei um nomezinho hoje. Não estou perseguindo ninguém. Agora, gastar dinheiro público para palestras, aí é brincadeira. Fica escrevendo o tempo todo lá críticas, mas mostrar que é uma pessoa isenta, né? Imprensa isenta. Se não fizerem matéria escrita amanhã nos jornais, não tem mais entrevista pra vocês aqui, tá legal?”, como Merval colocou em seu blog.

Caso apareceu em Auditoria, mas já havia sido denunciado pelo The Intercept 

As palestras de Merval Pereira aparecem em um relatório de auditoria sobre as atividades do Senac. No documento de 10 de fevereiro de 2017 e com 170 páginas, as apresentações são listadas como “contratação de serviços em desacordo com a missão da entidade [Senac]”.

Na página 25 está escrito: “Constatamos contratações por inexigibilidade de palestrantes para atuarem no Mapa Estratégico do Comércio, a fim de tratar de temas com cuja finalidade distinguem da missão institucional do Senac RJ que é “promover educação profissional com objetivo de gerar empregabilidade, competitividade e desenvolvimento econômico e social para o setor de comércio de bens, serviços e turismo do Estado do Rio de Janeiro”.

Em seguida, vem uma lista de contratações dessa natureza, inclusive a de Merval Pereira e de outros profissionais que trabalham ou trabalharam no Grupo Globo. O economista Samy Dana, por exemplo, aparece como destinatário de R$ 284.450,88.

Foto: G1
Merval Pereira responde presidente Jair Bolsonaro em seu blog e tenta se explicar, porém, não consegue

A auditoria entende que esses serviços de palestras foram inadequados para o Senac. E conclui: “Recomendamos que as contratações de serviços pelo Senac/RJ estejam diretamente correlacionadas às finalidades da instituição presentes em seu regulamento. E que os valores pagos em desacordo com a finalidade do Senac sejam restituídos aos cofres da entidade”.

Não há informações disponíveis se os valores pagos foram devolvidos ou não.

A informação inicialmente propagada por Bolsonaro foi publicada há cerca de 2 anos pelo site The Intercept Brasil, em outubro de 2017, citando o relatório de auditoria do Senac.

O dinheiro usado pelo Senac do Rio de Janeiro e de outros Estados é originado de uma cobrança sobre as folhas de pagamentos das empresas do setor do comércio. O recolhimento é feito pela Receita Federal. Ou seja, são recursos públicos repassados às entidades do chamado "Sistema S", que tem ainda, entre outras organizações, o Sesc e o Senai.

À época da reportagem do Intercept Brasil, a Fecomércio-RJ (que é a entidade guarda-chuva do Senac/RJ) disse que as palestras de Merval estavam “dentro dos objetivos do Senac”. E ainda tem cara de pau que disse que as informações trazidas a público pelo The Intercept Brasil não são verdadeiras.

A resposta, que convenhamos, é um tanto quanto vazia

Segundo o jornalista, em março de 2016, ele, dentre outros jornalistas e economistas foram contratados para participar do Mapa Estratégico do Comércio, da Fecomércio do Rio. De Janeiro.

O projeto, que previa 15 palestras em diversas cidades do Estado do Rio, tratava sobre as perspectivas políticas e econômicas naquele ano de eleições municipais, mas não foram realizadas todas, por isso o valor pago foi inferior ao alegado e equivalente a 13 palestras.

Fonte: JTNews, com informações de Poder 360

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