A Arábia Saudita anunciou que investirá US$ 10 bilhões no Brasil, o equivalente a cerca de R$ 40 bilhões.
O valor foi recebido com entusiasmo pelo governo federal e considerado o melhor resultado do giro do presidente Jair Bolsonaro (PSL) pela Ásia e pelo Oriente Médio.
Os recursos são significativos para o Brasil, cujo economia ainda patina, mas pequenos se comparados com outros investimentos anunciados pela Arábia Saudita — uma das maiores potências do mundo árabe, que tenta colocar em prática um ambicioso plano para diversificar sua riqueza e diminuir a dependência do petróleo.
Somente na Índia, a Arábia Saudita anunciou investimento de US$ 100 bilhões, segundo o ministro do Comércio e Investimento saudita, Majid bin Abdullah Al Qasabi.
O valor é dez vezes o que a nação árabe destinará ao Brasil. A promessa para a Índia foi feita no início deste ano, e o anúncio brasileiro foi feito na última terça (29)
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, esteve em Riad, capital saudita, ao mesmo tempo que Bolsonaro.
Assim como o brasileiro, discursou no fórum Iniciativa para Investimentos Futuros, voltado a investidores e chamado de "Davos do deserto", em referência à cidade suíça que abriga o Fórum Econômico Mundial.
Ambos se encontraram com o rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz, e com o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman.
Para onde irão os investimentos sauditas?
No caso da Índia, já está acertado inclusive como boa parte do dinheiro será aplicada. A estatal saudita de petróleo, a Saudi Aramco, em parceria com uma empresa dos Emirados Árabes Unidos e de três companhias indianas, construirá na Índia a maior refinaria do mundo.
O investimento total será de US$ 60 bilhões, sendo que a Arábia Saudita vai entrar com mais da metade do valor, US$ 35 bilhões, conforme anunciou o ministro Al Qasabi nesda quinta-feira (31).
O governo indiano tinha escolhido o local para a obra, em Ratnagiri, cidade portuária, mas teve que recuar depois de protestos de produtores locais de manga.
"Estamos esperando o governo da Índia escolher um novo terreno", disse Al Qatabi. "A bola está com eles".
No Brasil, a prioridade será a projetos ligados à agricultura.
Ele explicou que a Arábia Saudita é "altamente dependente" por importar cerca de 85% da comida consumida no país.
Por isso, precisam de segurança alimentar e buscam o Brasil como parceiro estratégico no setor.
Al Qatabi acrescentou que o Brasil avançou muito em serviços e logística nos últimos anos, portanto, os sauditas também estarão de olho em projetos de privatizações e infraestrutura.
Esses projetos deverão ser viabilizados por meio do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), sob responsabilidade da Casa Civil. Uma comissão para prestar assistência técnica aos sauditas deverá ser criada.
Fonte: UOL Notícias