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Após manifestação de comerciantes, Prefeitura lembra de mais de 3.500 empregos criados no "Dirceu"

Fechamento de comércios é uma realidade que não está vinculada apenas ao 'Grande Dirceu', observamos o que ocorre na região do centro de Teresina, é visível os efeitos da crise econômica nacional

Foto: Jacinto Teles/JT News
Dirceu Avenida Principal

Comerciantes da Avenida Central do bairro Dirceu Arcoverde [Av. José Francisco de Almeida Neto], zona sudeste de Teresina, protestaram nesta semana, quarta-feira (4), contra a decisão da Superintendência de Trânsito de Teresina (STRANS) de estabelecer a via exclusiva dos ônibus na Avenida Principal. 

O assunto é polêmico, mas, ao observar os argumentos dos comerciantes de que estão vivenciando uma "quebradeira geral" devido ao fato de que das duas faixas nos dois sentidos da Avenida Principal, uma ser "exclusiva para ônibus" ter gerado prejuízo financeiro em grande escala a eles [comerciantes], desde o ano de 2017 quando a via exclusiva foi implantada, é fato controverso, tal informação não pode ser facilmente comprovada, considerando que a crise econômica nacional massacra a cidade de Teresina como um todo, até mesmo nos shoppings da capital, encontram-se diversas lojas fechadas, virando apenas um espaço vazio com uma placa de aluga-se.

Foto: Divulgação
Rafael Dias da região do Grande Dirceu, filho do vereador Anselmo Dias de saudosa memória

Sobre o assunto, o JTNews  ouviu Rafael Dias, diretor da Federação de Bairros do Piauí [FEBAPI] e relações públicas da UMOR [Associação de Moradores de  bairros que englobam a região do Grande Dirceu], o líder comunitário assim posicionou-se sobre a polêmica:

"Eu acredito que as cidades são feitas para as pessoas, não para os veículos. O diálogo sobre a faixa se iniciou há dois anos com várias audiências públicas na região sudeste. A prefeitura e os órgãos responsáveis chamaram pra discutir o plano diretor de transporte e é preciso reconhecer que naquele momento fomos contra a implantação da faixa, por acreditar que causaria transtorno ao comércio, mas, pela falta de participação da população e de grande parte dos comerciantes fomos voto vencido."

Rafael Dias, acrescenta sobre o fato: "Hoje observamos que a faixa, de fato trouxe mobilidade ao trânsito da região, e aqueles transtornos de acidentes acabaram na Principal [Avenida]. Nós defendemos que haja uma flexibilidade nos horários para que o comércio não seja penalizado. Agora não acreditamos que a quebradeira seja por conta da faixa e sim, pela crise nacional", pontuou Dias.

Essa é uma realidade que não está vinculada apenas ao 'Grande Dirceu', observemos o que ocorre na região do centro da cidade, é visível os efeitos da crise econômica nacional no Centro de Teresina e em outros bairros e cidades do Piauí. 

Em um breve passeio pelas ruas de nossa capital, facilmente se observa inúmeros pontos comerciais e residenciais com placas de aluga-se ou vende-se.

São tantos estabelecimentos comerciais nessas condições, que é algo que chega a espantar e mostra a real crueldade da crise econômica que, lamentavelmente não tem calendário para cessar.

O JT News, ouviu também o economista Paulo Roberto Medeiros sobre o assunto que, por sua vez entende que Teresina sofre com a crise econômica nacional, ele disse textualmente:

"Esse assunto é complexo; com certeza  que Teresina sofre pela crise nacional. Tendo em conta a pobreza da região, ficamos mais debilitados. Um indicador desse problema é o desemprego, reduz o número de potenciais compradores, afetando o comércio. Assim sofre o pequeno, o médio e o grande empresário, mas, sofre mais o mais fraco. Até o fim deste ano não há perspectiva de melhorias para a economia, o ano já acabou. O PIB para esse ano está sendo previsto para menos de 1%, nem as vendas de final do ano poderá reverter essa tendência", enfatiza ele. 

"É importante destacar que até mesmo no principal Estado da Nação, que é São Paulo, houve redução na receita total das MPE's (Micro e Pequenas Empresas) de pouco mais de 44 bilhões de reais; crise esta, que afetou até mesmo as indústrias paulistanas, que neste ano o número de fechamento foi o maior da década", declarou o economista.

O economista Paulo Medeiros, concluiu sua opinião acerca dessa polêmicasugerindo que seria  interessante fazer uma pesquisa com os comerciantes locais da região do Grande Dirceu.

O economista falou que dos poucos comerciantes que conhece na região do grande dirceu, tem observado que eles não estão satisfeitos, então sugere que, quanto a correlação ônibus x vendas locais, se faça uma pesquisa para comprovar.

"No entanto, como já percebemos, a crise tem uma parcela de culpa nesse processo: queda de vendas; desemprego; falta de recursos (capital de giro); e quebra (falência) de empresas, fechando assim o ciclo. Detalhe: a classe média  brasileira está virando pó", conclui Medeiros.

O JTNews também conversou com o comerciante da Região do Grande Dirceu, Adriano Santos, mais precisamente da avenida principal.

"Realmente se for visionar e verificar a estratégia que o prefeito Firmino Filho utilizou foi a mais correta porque teria que ter uma linha exclusiva para o ônibus, claro que poderia ter sido feito por trás das lojas, nas laterais da avenida, mas só que se o comerciante for observar, a maioria das lojas que ali estão na principal, tem uma clientela maior na parte de pessoas que pegam a condução pública, vamos dizer que 75% da clientela são pessoas que usam esta condução.

Foto: Kayo Coutinho/JT News
Via da Avenida Central

São poucas as lojas que têm uma clientela que possui veículos próprios, então se tirar o ônibus da 'linha principal', e colocar na parte de trás das lojas, aí sim os comerciantes irão sentir a diferença, irão quebrar. Porque a maioria das lojas que estão na principal do Dirceu, tem como maior parte da clientela usuários de transporte público, ou seja, as pessoas de baixa renda, são elas que movem o comércio no Dirceu, não é a elite de renda maior, e sim as pessoas de baixa renda, então tem que explicar isso para os comerciantes do local", concluiu ele.

Foto: Jacinto Teles/JT News
Avenida Principal do Dirceu, sem movimento de ônibus hoje (7) de setembro

Adriano, sustenta a posição de que, se tirar a via exclusiva da avenida principal, o comércio na área vai cair ainda mais, e a redução das vendas poderá ser drástica, também a posição de que todos podem estacionar seus carros nas ruas paralelas, não é preciso estacionar veículo na frente do estabelecimento, e que não é razoável sacrificar bem público em detrimento de uma minoria.

Comprovadamente as faixas exclusivas para ônibus trazem benefícios para a população, principalmente para aqueles que dependem do transporte público, os ganhos são claros, notadamente nas questões de eficiência, otimizando tempo de ligação de região a região de Teresina, tendo uma maior rotatividade, mais velocidade operacional, diminuindo o tempo que o trabalhador precisa para chegar na hora certa em seu trabalho, melhorando até mesmo a qualidade de vida de quem faz o uso diário dos ônibus.

A Mobilidade Urbana deve ser cumprida e respeitada

A Lei 12.857/12 que é a Lei de Mobilidade Urbana deve ser cumprida e respeitada, pois contribui para o desenvolvimento, e ela institui a priorização do transporte público. O ordenamento legal é claro em preceituar que  Política Nacional de Mobilidade Urbana tem por objetivo contribuir para o acesso universal à cidade, o fomento e a concretização das condições que contribuam para a efetivação dos princípios, objetivos e diretrizes da política de desenvolvimento urbano, por meio do planejamento e da gestão democrática do Sistema Nacional de Mobilidade Urbana.

O JT News ouviu a Prefeitura de Teresina, que sobre o assunto emitiu a seguinte justificativa:

"Tais mudanças podem afetar a vida de algumas pessoas ou setores sociais, mas são medidas que necessariamente precisam ser feitas em nome do interesse maior da coletividade.

No que se refere diretamente à tentativa de politizarem e quererem transformar a situação dos comerciantes do bairro Dirceu Arcoverde, num movimento de pré campanha eleitoral, é preciso deixar bem claro que só nestes últimos anos, através de incentivos fiscais e ações diretas da prefeitura de Teresina, foram gerados na região do Grande Dirceu:

- 3.500 empregos através da implantação da empresa de Call Center Alma Viva do Brasil. Todos estes empregos ofertados para pessoas na sua grande maioria residentes nos bairros do Grande Dirceu.

- mais de 900 empregos diretos e indiretos dentro da cadeia produtiva da Açaí Atacadista instalará naquela região. Isso sem falar de outros empreendimentos registrados e abertos por lá.

O que se observa é que vários comércios e empreendimentos estão fechando em todas as regiões  da cidade e não só na região Sudeste e que esta, mais que as outras, teve acréscimo no número de empregos gerados na região," finalizou.

Fonte: JT News

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