A audiência pública realizada na manhã de quarta-feira (13), proposta pelo deputado Francisco Limma (PT), contou com a explanação de representantes de órgãos públicos estaduais de saúde de municipais de todo o estado do Piauí, sobre a problemática da Covid-19.
Depois das colocações feitas pelos gestores da Saúde, os deputados presentes foram divididos em dois grupos de quatro e fizeram seus questionamentos ao secretário de Estado da Saúde, Florentino Neto; aos técnicos da Sesapi e diretores de hospitais públicos, além dos representantes do Conselho Regional de Medicina.
O primeiro a se pronunciar foi o deputado B. Sá (PP), questionando os investimentos pelo Estado e municípios, que não foram feitos antes, o que poderia ter evitado a atual situação de colapso em alguns desses estabelecimentos de saúde.
O parlamentar questionou sobre o tratamento da doença, citando os protocolos adotados por outros países e que não vem sendo usados pelos médicos no Brasil, e mais especificamente no Piauí, em relação ao uso de certos medicamentos, que poderiam ajudar no tratamento de pessoas acometidas pela Covid-19.
B. Sá perguntou se o Piauí tem conhecimento desses protocolos e sobre a eficácia dos tratamentos neles previstos.
O objetivo da realização da audiência pública foi questionado pelo deputado Gessivaldo Isaías (Republicanos).
O parlamentar quis saber sobre a situação atual da pandemia no Piauí e como está o atendimento no Hospital Regional de Floriano, onde foram adotados os procedimentos realizados em outros países, como Espanha e França, e que vêm dando certo, inclusive com a melhora na saúde de alguns pacientes acometidos pela Covid-19.

Gessivaldo Isaías disse que esse protocolo poderia salvar muitas vidas e, com isso, evitar que pessoas precisem ser internadas em UTI.
O deputado citou exemplo de familiares que, usando medicamentos do protocolo de atendimento, já estão praticamente de alta e com considerável melhora na saúde.
Gessivaldo disse ainda que existe tratamento que pode ser realizado em casa, com medicações e com isso evitar que a pessoa contaminada tenha que ir para hospitais.
Segundo ele, os medicamentos estão sendo prescritos por médicos, mas que os pacientes estão com dificuldade em encontrá-los em farmácias, como foi o caso de um sobrinho dele.
O deputado ressaltou que o pânico espalhado entre a população, de acordo com os médicos, pode diminuir a imunidade das pessoas e piorar ainda mais a situação.
“Nós estamos em situação delicada, com as fases da doença que são três.
E por que não tratamos esses pacientes com corticoides e a cloroquina, por exemplo. Não estamos falando de cura e sim de evitar pessoas em UTIs”, defendeu.
A deputada Teresa Britto (PV) lembrou as visitas aos hospitais públicos do Estado em vários municípios do Piauí, bem como em Teresina, que estão em situação precária, o que a preocupa anda mais agora, neste momento de pandemia.
A capacidade de atendimento da rede hospitalar do Piauí; quando vão funcionar os hospitais de campanha; qual a previsão de atendimento em hospitais de pequeno porte em relação a Covid-19; a situação dos servidores, a quantidade de profissionais, o treinamento desses para atendimento a pacientes infectados pela Covid-19 e os salários pagos a eles, foram outras indagações da deputada Teresa Britto.
“Estamos há mais de um mês de isolamento social e esse trabalho nos hospitais ainda não foi feito.
Existem atrasos de salários, contratos precários. São muitos problemas. E o que ouvi nas falas é que está tudo muito bem estruturado e muito bem organizado”, discordou a deputada, acrescentando que continua recebendo denúncias de pessoas em relação a precariedade dos hospitais e do atendimento nos hospitais do Piauí.
A parlamentar solicitou ao secretário estadual da Saúde, Florentino Neto, e ao presidente da Fundação Estadual Piauiense de Serviço Hospitalares (FEPISERH), deputado Pablo Santos, providências para a instalação de um hospital de campanha no município de Picos.

O deputado Franze Silva (PT), logo no início da sua fala, destacou que a saúde do Piauí não pode ser discutida somente em âmbito de Estado, mas com os municípios e em nível federal. Segundo o parlamentar, é preciso um pacto pelos municípios.
“Não podemos ter um olhar só para os hospitais regionais e sim para os hospitais de todos os municípios. Não podemos dizer que está excelente, mas temos que estender a cobrança aos prefeitos”, defendeu.
Franze Silva também perguntou como está sendo feita a articulação com os secretários municipais e prefeitos, em relação à saúde e, especificamente, sobre o momento atual de pandemia do novo coronavírus.
O deputado lembrou que no Piauí está sendo desenvolvido um teste para o diagnóstico do coronavírus e que isso deveria ser priorizado. Segundo ele, o teste é desenvolvido pela Universidade Federal do Piauí e Fundação de Amparo à Pesquisa no Piauí (FAPEP), com um valor de investimento de cerca de sete mil reais. Os testes podem permitir ações de maneira preventiva. “O foco é trabalhar na linha da prevenção”.
Gestores da Saúde e diretores dos hospitais respondem a questionamentos de deputados
O gestor da Rede de Alta Complexidade da Secretaria Estadual da Saúde do Piauí (Sesapi), Alderico Tavares, em resposta às indagações dos parlamentares, comentou sobre as ações que estão sendo desenvolvidas, em relação à Covid-19.
Segundo ele, o que diferencia o Piauí de outros estados, como o Maranhão e o Ceará, é o tratamento mais eficaz: o isolamento social. E que os órgãos da saúde, de modo geral, não estão preparados para a pandemia.
Alderico Tavares disse ainda que já foram entregues mais de dez leitos de UTIs, e que estão para chegar ao Estado ventiladores mecânicos, que serão distribuídos para os hospitais.
O gestor da Sesapi disse também que estão sendo solicitados mais profissionais, para que os hospitais funcionem com mais eficácia e que com a testagem das pessoas vão ser sanadas a dificuldade de diagnostico e de resultado dos exames de pacientes suspeitos.
Em relação a situação de servidores da saúde, Alderico Tavares assegurou que os pagamentos dos salários foram iniciados.
Sobre o protocolo de atendimento em relação ao uso de medicamentos para o combate à doença, os hospitais estão sendo abastecidos com alguns medicamentos. O gestor explicou que o uso de certos medicamentos, só pode ser feito em pacientes com casos leves e moderados da doença e que o paciente precisa assinar uma autorização para o uso dessas drogas.
Alderico Tavares disse ainda que o Estado, o município de Teresina e o Governo Federal estão monitorando os pacientes “leves” e dando todas as informações necessárias, inclusive com encaminhamento para os hospitais, de acordo com cada situação; que são necessários exames para saber os fatores de risco e, caso necessário, o paciente pode optar pelo tratamento.
O gestor disse ainda que qualquer médico poderia praticar esse protocolo, mas que isso não foi aceito pela maioria das autoridades em saúde.
E que a fórmula que está sendo adotada em outros países não tem nenhum dado científico, sobre algumas das medicações propagadas nas redes sociais, citando o WhatsApp.
Sobre os hospitais de campanha, Alderico tavares falou do Hospital da Polícia Militar do Piauí, que já dispõe de testes e estruturação necessárias, com salas de UTIs e enfermarias. E que a UTI do hospital da PM será inaugurada da no próximo mês de junho.
Segundo ele, mais de 80% de equipamentos já foram comprados para os hospitais de campanha e que até o dia 25 deste mês, termina o processo seletivo do pessoal que vai atuar nos hospitais de campanha.
O Estado, segundo Alderico, recebeu 64 mil testes rápidos para detectar o anticorpo para o novo coronavírus, enviados pelo Ministério Saúde e que serão distribuídos para os municípios piauienses.
CRM - O médico Dagoberto Silveira, do Conselho Regional de Medicina do Piauí, explicou que Medicina não se faz com pequena amostragens e que os protocolos adotado em alguns países não mostram evidências de que devam ser usados em larga escala, principalmente em relação a medicamentos que estão sendo aplicados. Segundo ele, o trabalho deve ser baseado em evidências.
“Nós pensamos e trabalhamos no que é melhor para a comunidade. Temos interesse em fazer com que o paciente receba o melhor. A comunidade irá receber um documento do CRM, baseado em evidência científica, para que a população não fique preocupada e em pânico. No momento, as pessoas devem ficar e em casa”, recomendou.
Prefeitura de Teresina
Representante da Prefeitura Municipal de Teresina, Francisco Canidé enfatizou que a PMT também tem seu protocolo e que se pauta pelo que decide a área médica para tomar as providências em relação à Covid-19. Segundo ele, o protocolo de tratamento é balizado pelas autoridades médicas e que existe um tratamento e protocolo para cada caso.
Canidé discordou do deputado Gessilvado, quando o parlamentar disse que ainda não viu resultados positivos em relação ao tratamento da doença.
De acordo com Canidé, o Piauí tem trazido resultados positivos com o isolamento social e, graças a essa precaução, o estado ainda não chegou no pico da doença.
Sobre parcerias e investimentos com o município, Francisco Canidé adiantou que Teresina é o município que mais investe em saúde. E citou que no ano passado o investimento feito pela PMT foi de 35% em saúde, quando o necessário é era de 15%.
O gestor afirmou ainda que nenhum sistema de saúde do mundo estava preparado para a doença e que a rede pública está em dia com o pagamento dos funcionários. Segundo ele, foi criada a gratificação de insalubridade de 40% para os profissionais da linha de frente do tratamento da covid-19.
Picos
A médica Samara Sá, diretora do Hospital Hospital Regional Justino Luz, em Picos, enfatizou que já estão sendo realizadas ações no hospital e faz questão da presença da deputada Teresa Britto em visita ao hospital, onde foram feitas várias melhorias.

Floriano
O médico David Basílio, diretor do Hospital Regional Tubério Nunes, em Floriano, revelou que foram ampliados os leitos, bem como outras melhorias, com a participação da iniciativa privada.
Ele disse também que o isolamento social contribuiu para a diminuição de ocupação de leitos e que os testes para Covid -19 estão sendo feitos em todos os colaboradores que trabalham no hospital.
Fonte: Ascom/ALEPI