Política

Bolsonaro diz que não vai conversar com Witzel e insinua prisão do governador

O presidente também declarou que o uso da hidroxicloroquina para combater a COVID-19 é “questão política”

Foto: Sérgio Lima/Poder 360
Presidente Jair Bolsonaro durante entrevista na porta do Alvorada, em maio de 2020

O presidente Jair Bolsonaro afirmou a um apoiador na manhã desta quarta-feira (3) que não vai conversar com o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC). Em seguida, Bolsonaro insinuou que o governante pode ser preso. Witzel foi alvo de operação da Polícia Federal há duas semanas.

Foto: Sérgio Lima/Poder 360
Presidente Jair Bolsonaro durante entrevista na porta do Alvorada, em maio de 2020

“Eu não vou conversar com o Witzel. Até porque brevemente já sabe onde ele deve estar, né?”, disse Bolsonaro no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.

Bolsonaro deu a declaração depois de ouvir um pedido de ajuda do apoiador, que se apresentou como policial militar. Witzel teria taxado PMs reformados por incapacidade física, descontando dos salários a previdência da qual eram isentos.

Sem máscara

Bolsonaro disse que a imprensa noticiaria sobre ele estar sem máscara. Em seguida, disse a uma apoiadora para “ficar à vontade” caso quisesse tirar no acessório do rosto. Depois, ponderou que “tem multa em Brasília, não sei”. Por decreto, as pessoas são obrigadas a usar o objeto no Distrito Federal.

“Você sabe o que a imprensa vai publicar amanhã [quinta-feira, dia 4 de junho]? Que eu estou sem máscara hoje [quarta-feira] aqui. É a preocupação deles, mas tudo bem”, afirmou.

“Eu ia tirar também para tirar uma foto”, disse uma apoiadora.

“Fica à vontade, tem multa aqui em Brasília, não sei”, respondeu Bolsonaro.

“Qualquer negócio é COVID”

Bolsonaro declarou a um apoiador que “qualquer negócio é COVID”, em referência a atestados de óbito. De acordo com o presidente, há mortes por outras causas que estão sendo contabilizadas pela doença do novo Coronavírus. As pesquisas, no entanto, apontam que há subnotificação de casos.

O presidente também declarou que o uso da hidroxicloroquina para combater a doença é “questão política”. Isso porque, de acordo com Bolsonaro, “o PT, via não sei qual documento, requerimento, entrou no TCU [Tribunal de Contas da União] para derrubar” a orientação dada pelo Ministério da Saúde para tratar pacientes com COVID-19 desde os sintomas leves.

Bolsonaro determinou que as Forças Armadas aumentassem a produção do medicamento. Dois ministros da Saúde deixaram o cargo após discordarem da ampliação do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina para tratar a COVID-19. As pesquisas até o momento não atestam eficácia para a medicação, pelo contrário, há risco de arritmia cardíaca.

“O que que está acontecendo no Brasil ultimamente com essas medidas que estão tomando aí? Pobre está ficando miserável, classe média está ficando pobre. Está ficando todo mundo igual no Brasil. E parece que não têm noção de quando vai acabar isso daí”, afirmou.

Bolsonaro lembrou aos apoiadores que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que cabe a prefeitos e governadores determinar isolamento social. Disse ainda que “se não é [sic] os R$ 600” do auxílio emergencial dado a trabalhadores informais de baixa renda, “o Brasil tinha entrado em crise já”. 

“Porque o pessoal –30 milhões de informais– não tinha o que comer mais. Agora, é difícil falar isso aí. O povo aí vai se conscientizando do que está acontecendo no Brasil. Acabar com esse oba-oba de acreditar no populismo, votar no cara bonitinho, no mentiroso de sempre, mas tudo bem. A gente vai ter que buscar a solução a curto prazo. Vai chegar a hora de tomar uma decisão aí”, afirmou.

Fonte: Poder360

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