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Bolsonaro diz que divulgação atrasada de boletim é pra evitar subnotificação

O boletim, que era divulgado às 17h, passou a sair às 19h e, agora, por nova determinação do presidente, ficou para as 22h

Foto: Sérgio Lima/Poder 360
Presidente Jair Bolsonaro durante entrevista na porta do Alvorada, em maio de 2020

O presidente da República, Jair Bolsonaro disse que o Ministério da Saúde "adequou" a divulgação dos dados sobre o Coronavírus. O boletim, que era divulgado às 17h, passou a sair às 19h e, agora, por nova determinação do presidente, ficou para as 22h.

Foto: Sérgio Lima/Poder 360
Presidente Jair Bolsonaro durante entrevista na porta do Alvorada, em maio de 2020

“Para evitar subnotificação e inconsistências, o Ministério da Saúde optou pela divulgação às 22h, o que permite passar por esse processo completo. A divulgação entre 17h e 19h, ainda havia risco subnotificação. Os fluxos estão sendo padronizados e adequados para a melhor precisão”, afirmou Bolsonaro, no Twitter.

Bolsonaro se manifestou na manhã deste sábado (6) por meio de sua conta no Twitter.

Ao ser questionado sobre a mudança na sexta-feira (5), o presidente chegou a relacioná-la ao Jornal Nacional, principal produto jornalístico da TV Globo. "Acabou matéria no Jornal Nacional", disse.

Foto: Reprodução/Twitter
Print do Twitter de Bolsonaro

“Ao longo do enfrentamento da doença, a coleta de informações evoluiu com capacitação e serviços laboratoriais. As medidas, assim, permitem obter dados mais precisos sobre cada região”, afirma Jair Bolsonaro.

O presidente continua: “A divulgação dos dados de 24 horas permite acompanhar a realidade do país neste momento e definir estratégias adequadas para o atendimento a população. A curva de casos mostram as situações como as cenários mais críticos, as reversões de quadros e a necessidade para preparação”.

Os números divulgados diariamente pelo Ministério da Saúde até agora não são as mortes efetivamente ocorridas nas 24h anteriores, mas as confirmadas. Entre um paciente morrer e um exame atestar que a causa foi a COVID-19 podem se passar vários dias.

“Ao acumular dados, além de não indicar que a maior parcela já não está com a doença, não retratam o momento do país. Outras ações estão em curso para melhorar a notificação dos casos e confirmação diagnóstica”, declarou o presidente da República.

Recontagem

O próximo secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Carlos Wizard, disse ao jornal O Globo que haverá uma recontagem no número de mortos. Ele afirma que os dados atuais são “fantasiosos ou manipulados”.

Wizard afirma que há pessoas morrendo por outras causas e os gestores públicos estaduais e municipais registram como mortes por COVID-19. Depois, usariam o número como argumento para reivindicar mais recursos.

Especialistas, porém, afirmam que a subnotificação de casos é alta e o número deve ser superior às 35.026 mortes e 645.771 casos confirmados pelas contas do Ministério da Saúde até agora.

Dados mais tarde

O Ministério da Saúde passou, nos últimos dias, a divulgar os dados de mortes por volta das 22h. Antes, era das 17h às 19h. Bolsonaro disse na sexta-feira (5), na porta do Palácio da Alvorada, que “acabou matéria no Jornal Nacional” com os números. O telejornal é o de maior audiência no país e vai ao ar antes das 22h.

Além disso, o Ministério da Saúde deixou de incluir no boletim em que divulga o número de mortos todos os dias a soma das vítimas do Coronavírus. Ainda, a página mantida pela pasta onde era possível acessar dados sobre a doença no Brasil, o Painel Covid, está fora do ar na manhã deste sábado (6).

Bolsonaro minimizou a pandemia em diversas oportunidades. Também é contrário à política de isolamento social, apontada por especialistas como a melhor forma de conter o avanço da doença. Ele quer que as pessoas possam voltar ao trabalho.

Fonte: Poder360

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