Saúde

Água tratada nem sempre é sinônimo de água segura, alertam especialistas

Estudos apontam os riscos do contato e desenvolvimento de protozoários resistentes ao tratamento convencional, principalmente na fase de transporte nas tubulações.

Foto: iStock
Água da torneira

Água da torneira é sinônimo de água potável? É sempre importante lembrar que não, e daí a importância de recorrer a filtros, purificadores e outros métodos para, assim, reforçar a segurança da água que se bebe. Protozoários como Cryptosporidium e Giardia, além de metais pesados, como chumbo, podem estar presentes na água que sai das torneiras, mesmo que esta já tenha passado por estações de tratamento. 

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Água da torneira

Os dados são de um estudo realizado por estudantes da Universidade Estadual de Santa Cruz e da Universidade Estadual de Feira de Santana, tendo como recorte o município de Canavieiras, no sul da Bahia, que apontou a presença de microorganismos. A pesquisa, publicada na revista científica "Semina: Ciências Agrárias”, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), detectou Cryptosporidium em 4,2% das amostras de água tratada e Giardia em 16,6%. Esses resultados indicam que, mesmo após o tratamento convencional, microrganismos capazes de causar infecções gastrointestinais podem chegar ao consumidor. 

Segundo a bióloga e professora do IDOMED, Andrea Monteiro, essa contaminação pode ocorrer porque canos antigos ou danificados liberam metais como chumbo e ferro, além de permitirem o desenvolvimento e o contato com microrganismos. Andrea chama a atenção para os riscos, já que esse tipo de contaminação pode causar doenças como diarréia infecciosa, cólera e hepatite A. “É importante lembrar que, depois que a água sai da estação de tratamento, ela não é mais monitorada pela empresa, por isso é fundamental ter cuidado. Outro ponto é que o cloro usado para desinfetar a água pode gerar substâncias chamadas subprodutos, como os trihalometanos. Em grandes quantidades e ao longo do tempo, esses compostos podem causar problemas de saúde, incluindo doenças graves”, completa a bióloga.

É importante nunca baixar a guarda, pois a ausência de gosto ou cheiro não significa que a água seja segura. Contaminações por metais, produtos químicos ou microrganismos geralmente são invisíveis e não alteram o sabor de forma perceptível. Assim, mesmo que a água pareça limpa e tenha gosto normal, ela pode conter substâncias prejudiciais. O gosto costuma ser percebido apenas quando há excesso de cloro, presença de ferro (que confere sabor metálico) ou contaminação por matéria orgânica, capaz de provocar gosto e odor desagradáveis. Já contaminantes mais perigosos, como pesticidas, microplásticos ou bactérias, normalmente não alteram o sabor.

SINTOMAS

A professora do IDOMED explica que, quando alguém consome água contaminada, os sinais variam conforme o tipo de contaminação. Se a água estiver contaminada por microrganismos, os sintomas mais comuns são diarreia aquosa ou com sangue, náusea, vômito, cólicas abdominais, febre, fadiga e sinais de desidratação.

Algumas doenças específicas podem ocorrer, como a cólera, que provoca diarréia intensa e desidratação rápida, ou infecções por parasitas como Giardia e Cryptosporidium, que causam diarreia persistente, gases e dor abdominal. Nos casos de hepatite A ou E, os sinais incluem pele e olhos amarelados (icterícia), dor na parte superior do abdômen e cansaço extremo. Quando a contaminação ocorre por produtos químicos ou metais pesados, os sintomas podem surgir rapidamente, com dor abdominal, vômito e náusea.

Andrea cita algumas ações que reforçam a segurança no consumo. A primeira medida recomendada é a fervura da água, um método universalmente aceito, de baixo custo e altamente eficaz na eliminação de bactérias, vírus e protozoários. Basta ferver a água por 1 a 3 minutos antes do consumo, conforme orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Embora não remova contaminantes químicos, essa prática continua sendo fundamental em contextos vulneráveis.

Outra alternativa viável é a cloração caseira, com o uso de hipoclorito de sódio, disponível em farmácias ou distribuído por programas públicos. A aplicação correta (geralmente duas gotas da solução a 2,5% por litro de água, com repouso de 30 minutos) garante a eliminação da maioria dos microrganismos, embora seja menos eficaz contra parasitas resistentes, como o Cryptosporidium. Essa prática é recomendada pelo Ministério da Saúde, especialmente em áreas com saneamento precário.

Além dessas medidas, também é indicado o uso de filtros de barro com vela cerâmica, amplamente utilizados no Brasil. Quando empregados corretamente, esses filtros podem atingir níveis de remoção de bactérias superiores a 90%, garantindo segurança no consumo diário.

Fonte: JTNEWS

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